sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Labirinto




Perco-me no labirinto das emoções que eu mesma criei
Desvio o olhar da saída que nunca houve,
Mas eu acreditava existir.
Voltas e mais voltas dou em desembalada carreira
temendo o minoutauro que descubro estarrecida
ser eu mesma.
"Monstro de escuridão e rutilância"
Brilho solto nas trevas do id
Percorro os cantinhos, buscando caminhos e sofro.

É possível que tudo realmente se acabe quando Joana acordar?


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(poema: Yani Rebouças / imagem copiada do blog: http://midiailluminati.blogspot.com.br/2011/03/o-simbolismo-esoterico-de-o-labirinto.html)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A cidade a meus pés ou exercício de se colocar acima das pequenas coisas


A cidade não é nada e fica a meus pés
Solto-me vôo e, ao voar,
Percorro os interditos e recônditos espaços seus
É bom querer mesmo quando não posso
É bom olhar e desejar
Não o nada de todo dia
E sim o tudo do nada que se me dá agora:

O desejo

:que move o (meu) mundo!

Ao som dos acordes, ou do baixo...
O vôo de asas parcas
Minhas asas!
Sacio meu desejo de vida:
Tenho a cidade a meus pés!




Foto: Yani Rebouças

Revoada





No horário das luzes esgarçadas
O vento sopra e me deixa leve
Peso suave transformo-me: pluma
Leve branda cor de nada
Palavras soltas pássaros
Livres todos no fim do dia
Vivem o direito legítimo da revoada...

Poema: Sereyani
Imagem:Daniel de Granville - Revoada no Pantanal

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

era uma vez uma princesa que virou bruxa...

e penso nas princesas e fadas
de reinos antigos
dos livros de história
e penso nas dores muitas
de quem esperava resposta
e esperando se perdeu na espera
nos livros, nos contos
e em tudo que parecia lhe dar
o que a vida não dera



e penso na mulher
que desconstruiu conceitos
pensou e repensou quem era
e que inúmeras vezes
mudou de ideia



arriscando fichas
encaçapando sonhos
cantando canções de dor
cultivando jardins de espinhos
na torre dos sonhos perdidos



bem ali a mulher-princesa se encantou
e tornou-se a bruxa dos sonhos alheios
aquela que não dava amor
que apenas seduzia
para depois partir
desistir
sem final feliz

mas bruxa-mulher-princesa
nada disso importava
o que ela queria mesmo
só encontrava na palavra
liberdade de criar e construir
dialogar consigo mesma
fingir fugir




(pensamentos no papel
libertam de torres invisíveis)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

No Céu


Estamos nas nuvens!
Sobrevoando a pequenez do cotidiano
alcançando a plenitude
da coragem de ser livre!
livrando-nos do mal do tédio,
alçando o voo da redenção
remédio-salvação
outorgada pelas férias!
E voamos! Rindo de tudo!
Porque rir é remédio
e o Rio nos cura!





Foto: Clarice Machado Rebouças

sábado, 9 de junho de 2012

Os versos se tornam mais interessantes que as pessoas
quando ao olhar vemos tanto e dizemos tão pouco...

A palavra escrita verso
metáfora da existência
supre carências...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

às palavras e às coisas...

As vezes quero fazer poemas das palavras-coisas do meu cotidiano...
Um verso especial para um escova de dentes que
rime com outro cheio de vontade de amar...
Uma quarteto feito de brinquedos
espalhados aos montes pela casa
um terceto para as contas a pagar
e outro com terza rima na estrofe seguinte
combinando louças, roupas e tudo o que há
na casa pra lavar...
Depois, terminaria com um verso de ouro
dedicado ao vizinho que se julga no direito
de reclamar porque o vento bateu fortemente uma porta...
não dá... não consigo fazer poesia de tudo isso...


mas hoje um beija-flor entrou na janela da sala do 14º
e fez a poesia que faltava no meu dia...



(Quanto às palavras coisas? Estas precisam de mais que versos e rimas
precisam da mulher-poeta disposta e alerta...)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

sobre palavras

Difícil conter o efeito da palavra mal dita por mais que sentida
sofrida
vivida
na rima pobre de amor e dor
na tentativa frustrada de amadurecimento
na chantagem vil de quem implora o perdão
prometendo ao outro a paz perdida...


Difícil voltar atrás quando se lançou a semente do joio



Não se recupera a palavra


mal dita ela foge


voa



cria efeitos vários e elimina quem a soprou



Colhe tuas palavras

recolhe tuas dores

e permanece longe

só assim a ferida cicatriza

espera longe os frutos da dor

ainda que.

Difícil conter o sangue que jorra do meu peito e se transforma nas lágrimas que transbordam em minha face...
Difícil conter a dor palavra mal dita e mal lida...
Difícil querer ser e lidar com os paradoxos que se constituem...

terça-feira, 29 de maio de 2012

mais quadras...

Tantas vezes sereia
Tantas vezes seria
Se pudesse ser somente
o que de mim se exigia


Sou peça de jogo complexo
as vezes dama ou rainha
as vezes, porém, cavalo
Centauro! - alguém diria

faço trovas como consolo
de sereia em pedra só
querendo ter pernas novas
que caminhem sem tantos nós


(Fazer quadras enternece minha vontade de virar poeira.... Yani)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Minha pele


A pele que habito encerra meu corpo em claustro seguro nervos sangue e músculos

(Contidos)

A pele que habito protege e oprime determina conceitos provoca efeitos

(Contém)

A pele que habito me faz e faz sentir é tato sabor e sensação sinestesia de prazer

(Compartilha)

A pele que habito se mostra diferente revela e disfarça constrói o ser

(Camufla)



Sou mais que a pele que habito, mas por ela sou feita permanentemente, contida, contendo, compartilhando e camuflando a pele que habito.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Palavra

Para escrever nada mais importante do que




um espaço em branco no papel ou no blog.
Uma mente cheia de vidas alheias.
Um silêncio produtivo.
Um desejo de refazer.

escrever refazer dizer ser

(verbos que rimam na terminação er
mas fogem da regularidade da conjugação)

palavra que constrói o ato
mas foge da regularidade na criação

Faz

Defaz

é desabafo, poesia, conto, bilhete deixado na portaria é construção, revisão, distração, doação, confusão, inscrição de um ser ex-cêntrico num mundo que já nega os centros, é vida, sou eu, é você também.

Palavra que é.

Palavra que faz.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

As vezes me perco dentro de mim,
e parece que ouço a menina dizer:
olha atrás da mãe,
foi la que a mulher se escondeu...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Das investigações - série 1 - os objetos

As coisas
- todas elas -
não sorriem de mim
mas,
de dedo em riste
me apontam, cobram
e,as vezes,zombam
de mim.

As coisas
- fora dos lugares -
gritam,
berram,
surdas ao meu momento
não se importam
querem
querem
apenas querem

ORDEM.

(e não sou capaz de mover-me
por berros
gritos paralisam-me)


Fico, então,

P A R A L I Z A D A

e deixo todas as coisas
- histéricas -
fora do lugar.

Amigos reais em meio virtual: