sábado, 12 de fevereiro de 2011

Rio


Colho músicas e metáforas construo areia nos blocos de pedra das palavras do dia do tempo defeito em vozes do ar fumando a cerveja bebendo o cigarro cheirando o pó esquecido dos peixes que flutuam no muro nos vícios alheios em que entro no grau e desço os degraus do limbo, do espaço, do tempo que o tempo esqueceu de contar, da onda que quebra nos prédios de pedra da lagoa sem peixes nadando no muro no pó acumulado nas barbatanas de penas dos pombos do gato preto que invade a janela de um são jorge que insiste em voar por cima de nada e que pousa em mim. na lógica ilógica da palavra presa perigosa que prescinde de mim, de ti, do violão ou do ar em combustão, da língua que não falo, mas grito. do que sou, do que és e daquilo que alguém insiste em querer e que já não há, não há, porque nada pode haver por mais tempo nesse vôo caótico, na queda livre das idéias que não são minhas, mas que vêm e se vêm e vêem, as tenho e de posse escrevo de nada de tudo nos 40º na maravilha de cidade que escorre nos morros pelos quais morro, morro de amores e Rio.

Rio de mim, de ti, de não saber inglês, de ser estrangeira numa terra de porquês (what?) ganho forma e provoco mas não saturo porque gosto, quero e preciso. alucino com o que ouço na babel de sons e de cores, Rio.

Rio de tudo, mas Rio mais.

Rio mais de mim.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

as louças brotam na pia
ouço pássaros no centro da cidade
na brincadeira da poesia
(des)faço coisas
(des)crio possibilidades

Amigos reais em meio virtual: