segunda-feira, 24 de outubro de 2011

e por falar nisso de amor...

Falar de amor é fácil
quando ele rima com dor
difícil é rimar com chuva, encontro e paz.
Daí esqueço a palavra
e vivo o ato poético do amor em instantes
de gozo que rompe canto de pássaros
e vira vôo de pedras.

E viro comida caseira
as vezes regada de colo
e azeite.
Com sal sem exageros
e pimenta vermelha por cima.

Esqueço por horas seguidas
as contas
e os apelos...

Amor sem palavra poética
só e apenas:
vontade de vôo.


(Depois de errar tanto
por co(r)pos
encontro enfim a bebida.
Brinde de sapho e eros,
sem dúvida fui escolhida...
E brinco de ser poeta
sem vergonha e sem medida.)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

quadras

as vezes fico pensando
no nada que em mim se forma
nas vezes que tento ser
tudo que o outro cobra

sem chão ou nada a dizer
quero apenas poder
ainda que pareça contradição
viver um pouco o não

ser tudo que posso
mesmo que o outro queira
fazer o que gosto
mesmo que vire areia

e nas asas do tempo vão
que se perde e vira poeira
ampulheta cruel do não
mesmo que não se queira

fazer quadras enternece minha vontade de virar poeira...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Os ventos estão levando a gosto...

e arrastando o que está seco e se desprendeu...
os ventos estão levando a gosto tudo o que foi e se perdeu...
levem os ventos agosto, com gosto de renovar
levem agosto, sem prazos, sem pressa, tem tempo...

é tempo de setembro chegar.

sábado, 27 de agosto de 2011

...

Somos corpos sem pele
Dias roubados
Lamentos e dores
Somos busca
Eternamente fugazes
Somos copo derramado
Vida tomada
O próprio fórceps
Mas somos
E ser é o que há
Reverso ou verso
E amamos
E quando simultâneos
Plenos
Aborrecidos
Felizmente humanos.

sábado, 6 de agosto de 2011

o (meu) amor

O amor acalma, sereniza.
Prevalece.
O amor ensina, apazigua.
Fortalece.
O amor muda meu dia.
Enobrece.
Afasta as sombras da noite.
Esclarece.
Renova a vontade de vida.
Acontece.
O meu amor é assim.
tece, enternece e estremece.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

...

, é Joana... quem te falou que viver seria fácil? quem te falou, Joana, que vc amaria e seria amada e que isso seria leve e feliz? quem te falou que vc pode, Joana? quem te iludiu com a esperança do encontro? O poema que ontem brotava, onde está? sua escrita é só dor, Joana. Já percebeu? Já viu que te sobram palavras tristes e te faltam as de júbilo? Joana, acorda! Sai do lugar da dor! Sai daí, Joana! A vida te chama... O amor também... Vem pra luz, Joana;

domingo, 22 de maio de 2011

Cachoeira

"Água cai do céu é chuva,

Cai da pedra é cachoeira..."



A água cai da pedra
A água cai da pedra e me lava
A pedra fere o corpo
A água cai e me lava
A cachoeira ensina
a pedra e a água
ensina a cura.


deslizo com a água
endureço com a pedra
faço das pedras do meu caminho
trilha de cachoeira
deságuo e torno
a dureza de ser
torno fluido
viro água
percorro as pedras
desaguo nelas
e viro beleza.

Sou cachoeira!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Tergi-versando

de beleza faço cores
e versos dos quais me coro
não sou frente nem reverso
sou mulher e tergiverso

rimo apenas o que me toca
de volta ao princípio de tudo
aceito a mordida e a palavra
ensino construo e como

devoro a poesia e transformo
de versos e passos me faço
sou nova e velha no instante
da palavra-abraço

tergiverso no ato de agora

no instante em que me faço
palavra-poesia
traço o caminho de mim
sou mulher e faço versos
ter gi verso de novo
e fim

domingo, 6 de março de 2011

imaterialmente eu

Os pássaros na parede sobrevooam o lírio e a hélice de pá sobre a minha cabeça gira

gira minha cabeça cheia,
cheia de ideias loucas, sentimentos vários
vários...
cheia, vario
e vario, variante que sou...
mas não sou carro
e se te pareço louca
(talvez seja)
no escuro das letras,
na imaterialização da dor,
no sentimento de morte que cria a poeta,
nas hélices sem pás,
sem chão, nem buraco
de sete palmos

sem flores, sem velas
velo o amor que há
e temo a morte
minha(?!) não(!!)
talvez(?) a sua e de tudo(...) que há
e não


há o amor e o olhar
que se pode ver
e você vê mas não repara
não(!)
pára, pára de ver
e sentir
e querer
e buscar
aquilo que só você pode
mas não dá
não dá
não
dá...

batem as horas malditas
do tempo que tudo leva
mas não é leve
pesado o tempo que não crê em mim.
Acredita tempo, acredita em mim:
(E me deixa ficar aqui...)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Rio


Colho músicas e metáforas construo areia nos blocos de pedra das palavras do dia do tempo defeito em vozes do ar fumando a cerveja bebendo o cigarro cheirando o pó esquecido dos peixes que flutuam no muro nos vícios alheios em que entro no grau e desço os degraus do limbo, do espaço, do tempo que o tempo esqueceu de contar, da onda que quebra nos prédios de pedra da lagoa sem peixes nadando no muro no pó acumulado nas barbatanas de penas dos pombos do gato preto que invade a janela de um são jorge que insiste em voar por cima de nada e que pousa em mim. na lógica ilógica da palavra presa perigosa que prescinde de mim, de ti, do violão ou do ar em combustão, da língua que não falo, mas grito. do que sou, do que és e daquilo que alguém insiste em querer e que já não há, não há, porque nada pode haver por mais tempo nesse vôo caótico, na queda livre das idéias que não são minhas, mas que vêm e se vêm e vêem, as tenho e de posse escrevo de nada de tudo nos 40º na maravilha de cidade que escorre nos morros pelos quais morro, morro de amores e Rio.

Rio de mim, de ti, de não saber inglês, de ser estrangeira numa terra de porquês (what?) ganho forma e provoco mas não saturo porque gosto, quero e preciso. alucino com o que ouço na babel de sons e de cores, Rio.

Rio de tudo, mas Rio mais.

Rio mais de mim.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

as louças brotam na pia
ouço pássaros no centro da cidade
na brincadeira da poesia
(des)faço coisas
(des)crio possibilidades

domingo, 30 de janeiro de 2011

RE-NOVO-AÇÃO

Eu quero o novo!

Um novo momento para as mesmas pessoas
uma nova conduta para o mesmo amor
um novo olhar para o mesmo mundo
Um novo acorde na mesma canção...

Eu quero o novo que não prescinde do velho,
que não abra mão da experiência vivida,
assim como o tempo que se faz em ontens e hoje
possibilitando futuros

Também quero o novo com cara de novo
renovado novo, nova ação
pois sobre escombros nada se constrói
terreno limpo, após a demolição
aceita de novo, o novo

do amor: reconstrução.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

sobre ontem


Ontem eu fui feliz,
brinquei de ser criança
rolando na grama, pulando carniça
inventando histórias.
Ontem eu pude amar,
brincando de ser gente grande
dando beijos no ar
correndo em volta da casa
e simulando chegada
nos carros imaginários
nas asas de sonhos infantis
nos braços de amores vários
que eu fingia possuir
Ontem eu pude ser,
tudo e mais um pouco
no quintal de minha casa
na varanda de uma tia
no jardim de minha vó
eu era e podia
fazia e acontecia
Ontem sem ter nada eu tinha tudo,
o hoje me pegou de surpresa
tudo que criei de repente aconteceu
tenho tudo que queria (?)
e sonhava conquistar
mas me falta alguma coisa
imprescindível, talvez
falta a possibilidade
de acabar a brincadeira
e as histórias que criei
deixarem de existir
no instante em que minha mãe
me chamar para jantar.

domingo, 16 de janeiro de 2011

do pertencer...

eu quero ser minha de novo
ainda que me encontre em seus braços
ainda que não saiba quem sou
o que quero
pretendo
e faço

eu quero ser minha de novo
pra perder-me de novo (e de novo) de mim
e no ir e vir destes passos
descubro-me de fato
enfim.

Amigos reais em meio virtual: