domingo, 26 de setembro de 2010

Esquizofrenia

[corpo alma diafragma transtorno pensamento alucinações (visuais, cinestésicas, e auditivas) delírios alterações realidade paranoia humor psicose maníaco-depressiva transtorno bipolar]


reconheço
recomeço
refaço
resisto
resto
rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

não sou o que quero
quero ser não posso
penso ser e paro
torno e desfaço


absurda loucura que me acomete
a de ser e não ser, a de saber e muito menos
ainda nada conhecer
a de errar todo dia enquanto penso que acerto
a de parecer normal
a de parecer normal
a de parecer normal
a de parecer
ser
normal

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

V. Woolf

"Oh, mas eu não quero proteção", disse Fanny rindo e, quando Julia Craye, nela fixando seu extraordinário olhar, disse não estar assim tão certa disso, Fanny decididamente corou sob a admiração que ela estampava nos olhos.

Joana lia e relia esse trecho de V. Woolf e não se conformava... como alguém podia prescindir de proteção? Tá certo que ela mais dava do que recebia, mas sempre desejou uma mão protetora a segurar a sua, um ombro amigo e consolador, um colo de afeto e carinho...de tanto querer, ela mesma havia se tornado a própria mão, ombro e colo... metonímia de carinho que se transmutava toda em partes úteis a quem quer que precisasse dela... por isso aquelas palavras perturbavam tanto... por isso queria tanto que alguém se preocupasse com ela... por isso estava tão cansada...e lia e relia Virgínia W. divagando no desejo de um dia prescindir de proteção [e quem sabe também, aprender com ela a se transcrever...].

domingo, 19 de setembro de 2010

Quanto tempo?

Essa maldita ruga que teima em surgir
esse cansaço no corpo
esse descontrole hormonal
e essa vontade imensa de ter 20 anos de novo

[nunca me ressenti com o tempo
amigo de longa data sempre me apresentou
o melhor de mim
mas agora estamos brigados
e ele não para de seguir
e me arrastar
e eu queria tanto ficar por aqui]

não sei em que espelho ficou perdida minha face
mas sei que o reflexo de agora dói demais
e sei ainda que essa dor vai crescer
e que as rugas também
o cansaço também
o (des)controle também

Tempo, dá um tempo!
me deixa viver mais
deixa meu corpo em paz
senta toma um café e espera
espera, Tempo...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

...

- tudo que vejo, ouço, leio, faço, entendo, absorvo e vivo formam a minha pessoa, tudo que sou não nasceu em mim, foi forjado no fogo intenso das experiências vividas. Com essas palavras, Joana mais uma vez tentava iniciar um diálogo, no entanto o desejo de que ela fosse uma folha em branco, era tão sincero e verdadeiro quanto o desejo dela de ser aceita como papel sujo e rabiscado que era. Afinal de contas por que era tão difícil de aceitar o fato de não ser nova em folha, se ela ainda tinha mais folhas em branco do que escritas no caderno de seus dias? a beleza que Joana via residia justamente nos traços gravados na pessoa que tanto amava, traços de vida, que de tão vivida amadurecera boa parte do fruto antes do tempo, não, Joana não apreciava a beleza exterior, essa era fútil demais, ela se deliciava com o que não era visível aos olhos, e isso era essencial, e ela queria que a nova narrativa fosse construída numa página nova, de um caderno antigo. O que ela queria mesmo era escrever um novo capítulo e, quem sabe, um final feliz.

Hoje deixo com Cecília Meireles o dizer de mim:

Canção Excêntrica

Cecília Meireles

Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
protejo-me num abraço
e gero uma despedida.

Se volto sobre meu passo,
é distância perdida.

Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A vida as vezes passa e me atropela.

A vida as vezes passa e me atropela

E vou rolando vida abaixo
ribanceira acima
morte e vida
nada severina
sísifo (mulher?)
o que é que a vida quer?

A vida passa e as vezes

faço-me vítima
defaço-me algoz
e rolo a pedra morro acima
de novo de novo e de novo
o que é que a vida quer?

A vida passa e

não escapa
agarro-a firme e feroz
e,mais uma vez, a rolo
vítima
algoz
morte e vida
mulher
menina
a vida

A vida é.

Amigos reais em meio virtual: