terça-feira, 29 de junho de 2010

Aos amigos da blogosfera...

- ONDE leria eu os poemas de meu tempo?
- Em que prisão-jornal?
- em que consciência-muro?
- em que berro-livro?

Como a besta apocalíptica procuro o texto
que comido me degluta
e me arrebate
e denuncie
e me punja
e me resgate
a mim já torturado e mal-contido
em gritos desse olvido
- sob o pus dessa agressão.
- ONDE leria eu os poemas de meu tempo?
- No vazio de meu verso?
- Na escrita que interditam?
- na frase que renego?
- no sentido a que me apego?


Versos iniciais do poema "A GRANDE FALA DO INDIO GUARANI PERDIDO NA HISTÓRIA E OUTRAS DERROTAS"
de Affonso Romano de Sant'Anna

terça-feira, 8 de junho de 2010

Eu também falo...

Falo de espaço
preencho
mergulho
sem medo
de sombras
no vale (ou mar?)
obscuro
no espaço infinito
que há em teu ser

Percorro esse corpo
encontro o ritmo
e faço (falo?)
da noite, do baile
e do espaço
do dado mais raro
a forma prazer

domingo, 6 de junho de 2010

Silêncio Audível

A lua faz um silêncio audível agora
e toca ouvidos com a doce canção do gozar
aguça sentidos
eriça minha pele

permite o encontro da voz tão perdida no tanto que calo

a lua cantada em verso e em prosa
faz um silêncio audível agora
e canta a canção dos amores que o tempo
de ontem e hoje esqueceu de apagar

Apaga em luz
a noite do só
em corpo de astro

meu ventre mulher
descobre na lua
o muito que calo
do todo que sou

penetra meu ser a voz do luar
adentra minh'alma e conta os segredos
que tanto esconderam os raios do sol

[não fujo da lua não nego o silêncio que ouço nos cantos e encantos do sonoro luar]

Amigos reais em meio virtual: