terça-feira, 7 de dezembro de 2010

se...

tudo seria mais fácil e simples
se eu me coubesse em mim
se não pretendesse escrever poesias
se não fosse tão lírica
se não me preocupasse tanto
(com o que meus irmãos ouvem)
com o que o outro pensa
ou deseja

tudo seria mais fácil
se não tornasse complicado o que é simples
se não ponderasse
e apenas sentisse

tudo seria mais fácil
se não pretendesse tanto ser
se não sonhasse e não lutasse
se me deixasse
ser
se
pudesse ser
e
assim
quem sabe
pertencer
(se)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

37% de desconto no preço a vista

não quero facilidades
vida dividida em mil prestações
quero a vista
sem prazo parcelas negociações
mas quero desconto
porque não sou fácil
nem fácil a vida se entrega pra mim
dez por cento resolve
e paga a bebida
alivia no preço
que hoje estou disposta

quero a vida a qualquer custo

embrulha pra viagem?
hoje eu vou levar tudo
levo a vida e fim.

sábado, 13 de novembro de 2010

do olhar...

olhar cansado...
preocupado...
repressor?

olha, vê
repara...
tenho olhos que revelam tudo que não digo

...maldito olhar delator

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Novembro

noves fora zero
faço contas contra o tempo
não escrevo por querer
nem brinco de falar sério


uma vida não cabe num só mês...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

...

De frente pro espelho quebrado, Joana tentava inutilmente reconhecer-se... em qual daqueles cacos estava sua verdadeira face? Disposta a se encontrar, munida de cola e esparadrapos, ela juntava partes de um quebra-cabeças de vidro que ao invés de a revelarem mostravam um novo frankenstein, ser híbrido de tantos corpos mortos, fragmentos de vida já vivida que em decomposição faziam o que ela agora via naquele pedaço de espelho. Ela. Era ela. E só...

domingo, 26 de setembro de 2010

Esquizofrenia

[corpo alma diafragma transtorno pensamento alucinações (visuais, cinestésicas, e auditivas) delírios alterações realidade paranoia humor psicose maníaco-depressiva transtorno bipolar]


reconheço
recomeço
refaço
resisto
resto
rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

não sou o que quero
quero ser não posso
penso ser e paro
torno e desfaço


absurda loucura que me acomete
a de ser e não ser, a de saber e muito menos
ainda nada conhecer
a de errar todo dia enquanto penso que acerto
a de parecer normal
a de parecer normal
a de parecer normal
a de parecer
ser
normal

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

V. Woolf

"Oh, mas eu não quero proteção", disse Fanny rindo e, quando Julia Craye, nela fixando seu extraordinário olhar, disse não estar assim tão certa disso, Fanny decididamente corou sob a admiração que ela estampava nos olhos.

Joana lia e relia esse trecho de V. Woolf e não se conformava... como alguém podia prescindir de proteção? Tá certo que ela mais dava do que recebia, mas sempre desejou uma mão protetora a segurar a sua, um ombro amigo e consolador, um colo de afeto e carinho...de tanto querer, ela mesma havia se tornado a própria mão, ombro e colo... metonímia de carinho que se transmutava toda em partes úteis a quem quer que precisasse dela... por isso aquelas palavras perturbavam tanto... por isso queria tanto que alguém se preocupasse com ela... por isso estava tão cansada...e lia e relia Virgínia W. divagando no desejo de um dia prescindir de proteção [e quem sabe também, aprender com ela a se transcrever...].

domingo, 19 de setembro de 2010

Quanto tempo?

Essa maldita ruga que teima em surgir
esse cansaço no corpo
esse descontrole hormonal
e essa vontade imensa de ter 20 anos de novo

[nunca me ressenti com o tempo
amigo de longa data sempre me apresentou
o melhor de mim
mas agora estamos brigados
e ele não para de seguir
e me arrastar
e eu queria tanto ficar por aqui]

não sei em que espelho ficou perdida minha face
mas sei que o reflexo de agora dói demais
e sei ainda que essa dor vai crescer
e que as rugas também
o cansaço também
o (des)controle também

Tempo, dá um tempo!
me deixa viver mais
deixa meu corpo em paz
senta toma um café e espera
espera, Tempo...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

...

- tudo que vejo, ouço, leio, faço, entendo, absorvo e vivo formam a minha pessoa, tudo que sou não nasceu em mim, foi forjado no fogo intenso das experiências vividas. Com essas palavras, Joana mais uma vez tentava iniciar um diálogo, no entanto o desejo de que ela fosse uma folha em branco, era tão sincero e verdadeiro quanto o desejo dela de ser aceita como papel sujo e rabiscado que era. Afinal de contas por que era tão difícil de aceitar o fato de não ser nova em folha, se ela ainda tinha mais folhas em branco do que escritas no caderno de seus dias? a beleza que Joana via residia justamente nos traços gravados na pessoa que tanto amava, traços de vida, que de tão vivida amadurecera boa parte do fruto antes do tempo, não, Joana não apreciava a beleza exterior, essa era fútil demais, ela se deliciava com o que não era visível aos olhos, e isso era essencial, e ela queria que a nova narrativa fosse construída numa página nova, de um caderno antigo. O que ela queria mesmo era escrever um novo capítulo e, quem sabe, um final feliz.

Hoje deixo com Cecília Meireles o dizer de mim:

Canção Excêntrica

Cecília Meireles

Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
protejo-me num abraço
e gero uma despedida.

Se volto sobre meu passo,
é distância perdida.

Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A vida as vezes passa e me atropela.

A vida as vezes passa e me atropela

E vou rolando vida abaixo
ribanceira acima
morte e vida
nada severina
sísifo (mulher?)
o que é que a vida quer?

A vida passa e as vezes

faço-me vítima
defaço-me algoz
e rolo a pedra morro acima
de novo de novo e de novo
o que é que a vida quer?

A vida passa e

não escapa
agarro-a firme e feroz
e,mais uma vez, a rolo
vítima
algoz
morte e vida
mulher
menina
a vida

A vida é.

sábado, 28 de agosto de 2010

palavra-vento

palavras são como vento...

ventos movem moinhos
derrubam casas
arrancam árvores

palavras criam histórias
traçam caminhos mudam percursos
(des)fazem projetos

dia de vendaval
verborragia sentimental.

ventos refrescam
suavizam
permitem voar

palavras aliviam
confessam
fazem amar

dia de brisa
verbo-cria afeto de par

domingo, 25 de julho de 2010

...

...

Calo um tanto e digo outro.
Outro digo calo falo tanto eu.
Disfarço-me sempre e
nunca desfaço-me como
hoje e nunca quero mais da fala
que cala e não deixa
a mudez do silêncio gritar demais...

...


[inspirado num post lindão do bicho de sete cabeças:
http://bichodesetecabecas-ge.blogspot.com/2010/07/sem-titulo_24.html#comment-form...]

domingo, 18 de julho de 2010

Do que quero...

Construir-se-ser
Ser dizer fazer querer acontecer

A espontaneidade me escapa
então construo-me

faço-me

as vezes quis outra coisa
e quis ser um outro alguém
e pra isso fiz
disse
construi
aconteci

hoje não quero outra coisa
não quero ser mais ninguém
nem dizer
nem fazer
qualquer coisa que instrua ou acrescente

isso não é um poema
não se iluda com os versos
isso é um grito de desespero

...


quero a leveza que me escapa
quero não saber de mais nada
e voltar a não ter consciência
quero deixar de tanto querer e dizer e fazer e acontecer
quero a pausa de mil compassos de que me fala a canção

quero que o amor seja de fato um descanso na loucura

terça-feira, 29 de junho de 2010

Aos amigos da blogosfera...

- ONDE leria eu os poemas de meu tempo?
- Em que prisão-jornal?
- em que consciência-muro?
- em que berro-livro?

Como a besta apocalíptica procuro o texto
que comido me degluta
e me arrebate
e denuncie
e me punja
e me resgate
a mim já torturado e mal-contido
em gritos desse olvido
- sob o pus dessa agressão.
- ONDE leria eu os poemas de meu tempo?
- No vazio de meu verso?
- Na escrita que interditam?
- na frase que renego?
- no sentido a que me apego?


Versos iniciais do poema "A GRANDE FALA DO INDIO GUARANI PERDIDO NA HISTÓRIA E OUTRAS DERROTAS"
de Affonso Romano de Sant'Anna

terça-feira, 8 de junho de 2010

Eu também falo...

Falo de espaço
preencho
mergulho
sem medo
de sombras
no vale (ou mar?)
obscuro
no espaço infinito
que há em teu ser

Percorro esse corpo
encontro o ritmo
e faço (falo?)
da noite, do baile
e do espaço
do dado mais raro
a forma prazer

domingo, 6 de junho de 2010

Silêncio Audível

A lua faz um silêncio audível agora
e toca ouvidos com a doce canção do gozar
aguça sentidos
eriça minha pele

permite o encontro da voz tão perdida no tanto que calo

a lua cantada em verso e em prosa
faz um silêncio audível agora
e canta a canção dos amores que o tempo
de ontem e hoje esqueceu de apagar

Apaga em luz
a noite do só
em corpo de astro

meu ventre mulher
descobre na lua
o muito que calo
do todo que sou

penetra meu ser a voz do luar
adentra minh'alma e conta os segredos
que tanto esconderam os raios do sol

[não fujo da lua não nego o silêncio que ouço nos cantos e encantos do sonoro luar]

quinta-feira, 20 de maio de 2010

calem-se!

Como falar de poesia num dia que teima em ter vida demais?
Como falar de poesia olhando nos olhos de quem me tem mais e mais?
Como falar de poesia quando tudo o que vc sente e pensa alguém lindamente
e atrevidamente já disse??
Calem drummonds, calem bandeiras e hilst e prados...
Calem baleiros, césars, buarques e calcanhotos...
Calem-se todos vcs, pq hoje a minha vida saiu rimada
Porque hoje verso ou prosa eu sou amada
E quero silêncio pra sentir o presente que se me dá...
quero silêncio pra ouvir o som da vida e do que há,
quero o silêncio pra ser

nada mais... quero o silêncio pra ouvir
a voz que não diz
nada demais...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

presente poético da Rosa de Mariano...

[momento tão complicado, em que sobra tão pouco de mim que fiquei um tempo sem vir aqui... ontem em conversa de vida com meu amigo Olliver recebi o presente que posto abaixo... lindo d+... resolvi postar!]




Era caixinha de costura

Agora é de lembrança

Para quando chegar o tempo

Do esquecimento

Dentro

Um relógio de pulso

Um anel de vidro

Um broche de prata

Todos enrolados

Num lenço branco

Com letras azuis

Bordando amor

Olliver Mariano Rosa
ás 23:22
para minha amiga Yani

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Isso de mim...

Isso de mim mesma que se perde em dúvidas
é pedra papel tesoura
nas brincadeiras de infante
que longe ficaram no espaço

Isso de mim mesma de querer demais
é coisa de menina luxenta
que mãe já cansou de ensinar
e que teima e insiste sentada no chão

Isso de mim mesma de não saber
quem sou, o que quero e meu rumo
é coisa de mulher que presa a infância
requer muito mais que anos e corpo

sábado, 24 de abril de 2010

Toda mulher é poesia

É preciso que sejas
Água, pão, amor e luta
Que tragas fé, consolo, equilíbrio
Que venças qualquer disputa

É preciso que sejas
Que sejas até quando não és
Que desperte novo alento
Em quem já perdeu a fé

É preciso que sejas
Que proclames que encantes
Que venhas que inspires
E faças valer cada instante

É preciso que sejas
Feminino que és
É preciso que geres
Não sem antes seduzir
É preciso que reveles
O segredo de existir.




[Feita de versos,
.
.
.
Feita-me versos
.
.
.
Feita com-verso
.
.
.
E acho o caminho...]

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Era uma vez Joana

Era Joana quem mais uma vez começava aquela conversa. Era ela que insistia. Era ela quem dizia. Quem fazia, quem jurava e acontecia. Quando enfim olhou nos olhos, constatou apavorada que tudo aquilo que falava virava pó e mais nada. Bem ali, na sua frente, não havia mais ninguém. Percebeu que quem te ouvia, era uma casa vazia, era sua companhia: ninguém.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Pedaços... [resgatando antigos escritos...]

Falta
Fev 10 2008, 1h43

Falta um espaço no tempo
um lugar no momento
em que a falta deixe de existir
Falta o silêncio e a fala
a paixão e o tédio
que o cotidiano permite fluir
Falta o sentir que sentes
sentido o que sinto em te sentir...


Silêncio...
Fev 24 2008, 23h55

...ausência do som
da voz que me diz
do pouco de mim
que teimo em não ouvir...




Tempestade
Fev 25 2008, 23h22

Sou um mar em dia de furacão...
sou água, vento, rocha, areia, indefinição...
sou a busca e o encontro
certeza e confusão...

(by Yani)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

"tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu..."



as vezes ficamos sós...
as vezes nos deixam a sós...
as vezes nada é tão bom...
as vezes nada dói tanto...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

sobre-vida...

Tudo que escrevo é vida
que entra na porta da frente
e sai pela porta dos fundos...
Vi vida saindo sem medida,
gritando corrompida,
chorando a dor sofrida,
cambaleante,
desvalida...

mas, também vi vida
entrando alegre, divertida
sorrindo na torcida
de encontrar a medida
pra tanta vida vivida...

[sem pudores para as rimas,
encontro minha medida,
reencontro a saída
e acalmo a dor sofrida,
quando escrevo: vida]

quarta-feira, 24 de março de 2010

A escolha

Parada no caminho Joana não sabia para onde ir. Detestava toda e qualquer bifurcação. Passara a vida evitando-as, mas, ultimamente, estava se tornando impossível conseguir essa façanha...
A dualidade parecia-lhe um grande mal. Lidar com diferentes possibilidades corroía-a como um câncer. Então fugia. Sempre. Uma alucinada fuga que não a levava a lugar algum. Agora estava certa disso. Diante de si, não dois caminhos, mas vários... a estrada que tomara se repartia agora em muitas outras... quantas opções!! Não havia o que fazer... tinha que tomar uma decisão... então, exausta, deitou e dormiu...
um touro bravo, um cavalo selvagem, um carro desgovernado, um monstro. Um após o outro, todos os sonhos que tivera a deixara em situação semelhante. Acuada diante da escolha. Perseguiam-na até a encruzilhada e a deixavam só, abandonada à própria sorte. Assustada, transpirando muito, Joana acordou... olhou ao redor, tomou pé da situação que imanente e transcendente lhe cercava,e, de pé, respirou fundo indo em direção...
qual? não importa... não importa o caminho, importa o caminhar... e resoluta, Joana caminhou! Certamente chegará.

sexta-feira, 19 de março de 2010

não me basto...

Demoro a postar porque fico esperando um sopro divino que me torne leve para criar...

Não sei escrever, no entanto, preciso tanto...

Ainda que tente, não me basto... Sopre, Deus! E me construa verso...



Poein + Emá

faço versos como quem sangra
de mênstruo ou de faca
vazam-me os versos hemorrágicos
sem sentido ou construção
sangro apenas o que me vaza
escrevo versos, viro canção...

domingo, 7 de março de 2010

Ver-so

Feita de versos,

espalho-me pétalas

de rosa que apenas espinhos deixou


Feita-me versos

acordo metáfora

e espalho poemas nos interstícios do Amor


Feita com-verso

tolero os espinhos

Fragmentos de dor que permito existir


Despida dos versos

eu perco o caminho

e vago no vácuo perdida de mim

Ver-só

a madrugada lentamente me consome...
sou e só, isso basta! (ou não?)
basta que eu saiba e pronto.
o resto é conversa
é balela
não importa


não me importa o que pensas
ou acreditas
nem quem queiras (desejas? - eu tb!)
respeito o que sou, o que faço
e o que quero...
respeito em mim tudo
que amo, desejo e confio

mas hoje isso não importa
pois não é nada disso que conta...
conta nossa história
nossa lágrima
nossa dor...
conta a certeza do que não sou
e do que és
conta a beleza de ver-te
e de crer em ti
verdade e só.

Conta o saber de ti que vejo em mim.
verdade e só.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

sobre o tempo

faz tempo que penso em como o tempo tem seu tempo e prega peças em mim... faz tempo que espero o tempo e hoje ainda dou tempo ao tempo, amanhã espero o tempo chegar, é tempo, te espero na curva do tempo...

domingo, 24 de janeiro de 2010

"Morrer é só não ser visto" Fernando Pessoa




morro quando seus olhos não me vêem e não colocam em mim o brilho que tens.

morro quanto não me olhas e longe - lejos,

demoro-me pensando no momento em que esse olhar me fará renascer.


morro sempre e a cada dia quando não me fazes

sou quando me vês.

(para Ice e Ly)

Amigos reais em meio virtual: