terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Fuga

saltar o muro
atravessar os campos
chegar ao mar

(saltar a dúvida
atravessar o medo
mergulhar)

fácil assim

(não fosse tudo isso em mim...)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Leminskiando...

às vezes me bate uma necessidade de dizer algo e não consigo. daí me lembro de beber na fonte dos poetas que amo... hoje visitei Leminski:

Desencontrários

Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.

***
Apagar-me

apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme

***
Amor

Amor, então, também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

(by Paulo Leminski)



O que me salva é a poesia...
Y.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Sobre ontem...

Fiz.

Fiz e aconteci.

Superei a dor.

Fiz.

Acreditando ou não.

Fiz.

Amando ou não.

Fiz.

Fiz e aconteci.

E agora?
Vou dormir...
Posso sonhar que sou feliz?

Uma aprendizagem...

E porque sempre precisava de tudo, naquela noite decidira que não precisaria de mais nada. A auto-suficiência da embriaguez turvava os olhos e clareava a mente... ESTOU LIVRE! Finalmente a sensação da liberdade, perdida há muito pela chegada dos filhos, voltava sutil e intermitente... Era livre! E na liberdade de ser, deixava fluir as palavras há tanto estacionadas no vão das cordas não vibradas: SOU! E isso basta! Ser é o máximo que qualquer humano pode esperar para si.

(by Yani, 02/09/07)

Amigos reais em meio virtual: