terça-feira, 24 de novembro de 2009

Poeta-semente

POETA-SEMENTE


CARREGA A VIDA NA PELE
PALAVRA POR PALAVRA
PULSA
VIDA E ILUSÃO
MENTE
(QU)E EMANA
FORÇA, CALOR,
TESÃO

(LATENTE ESTADO EM QUE ESTÁ)

POETA-SEMENTE
SENTE
SEMEIA
INCENDEIA

‘PLANTA O SORRISO DA MISÉRIA
E A VONTADE DE TRUCIDÁ-LA
PLANTA A POESIA
MAS NÃO NA PELEJA DE CARA
NÃO TEM INSTRUÇÃO DE ARMA’

É PALAVRA-BROTO

POETA-SEMENTE NÃO FERE NEM MATA

BROTA

terça-feira, 22 de setembro de 2009

De volta ao mesmo

lugar em que já estive
sensação de re-conhecimento
dor antiga
amiga
cativa demais pra cair no esquecimento

lugar que conheço bem
no qual volto vezes sem fim
lugar da dor de saber
que sei tão pouco de mim

se soubesse algo de fato
não voltava a esse lugar
deixava de lado o conforto
e agia em vez de pensar

:P

domingo, 30 de agosto de 2009

Queria ouvir a palavra exata...

que me fizesse acordar,
que me despertasse desse sono de morte
e me conduzisse
como um sopro de vida

Queria ouvir a palavra ideal
aquela q consola
ama
alerta
e
transforma

se não ouço porém
por que insisto?
por que falo?
não há a palavra ideal
toda palavra é real
e
em um dado momento de sentimento
em um dado instante de coragem
de entrega
de amor
qdo dita
ela faz e acontece
e mais

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Ruídos...

me vejo cercada por eles
sons, fragmentos de frases,
palavras, gemidos, suspiros, pancadas...
imagens sonoras que invadem meu ouvido
mas,
hoje os barulhos que incomodam são outros
os ruídos dentro de mim
os sons surdos que captam minha audição interna
a angústica de ser e não
a aflição de querer ou não
a vontade de não ter vontades
o medo
a preocupação
as ânsias
são estes os barulhos que ensurdecem...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Da solidão

escolhe-se
encolhe-se
enrole-se

e


fique

na escolha
na encolha
no rolo da vida cotidiana que provoca, instiga, facilita a solidão

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Pedaços...

Um aqui
Outro lá
um pedaço em cada lugar
de todos um pouco
um pouco de tudo

divido o momento
nem sempre oportuno...

divido o instante
em muitos segundos...

A vida me vem
partida em pedaços...

Um aqui
Outro lá
dois bem perto
mais acolá

reparto o instante
intenso contudo
em que divido
na vida
um pouco de tudo.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Sempre (h)a poesia...

[é tão bom ter alguém por perto, pra vc se sentir completo...]


A poesia se faz presente
na ausência
[que de repente se preenche]
e no vazio
[que chega de repente]

A poesia se faz presente
no amor
[que anoitece]
e na dor
[que amanhece]

A poesia se faz presente
na manhã
[em que brilha o encontro]
e na noite
[escura e fria do abandono]

A poesia se faz presente
no livre
e no decassílabo
no altar
e no prostíbulo
na academia
e no bar
aqui e acolá

A poesia se faz presente
hoje
[...e amanhã também]
equilibrando
o eterno
[vai-e-vém...]
[vai-e-vém...]
[vai-e-vém...]

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Da necessidade do abraço...

"Há momentos na vida em que sentimos
tanto a falta de alguém
que o que mais queremos
é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la."
[ Clarice Lispector ]

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Lendo-me em Clarice Lispector

"Ah, milhares de pessoas não têm coragem
de pelo menos prolongar-se um pouco mais
nessa coisa desconhecida que é sentir-se
e preferem a mediocridade."


"Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma."

"Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome."



Esses fragmentos são imagens do livro Aprendendo a viver da ed. Rocco. Eles me remetem à coisas em que acredito muito: ¹é preciso sentir-se em profundidade pra deixar de ser medíocre, e esta viagem ao interior de si mesma é ainda mais perigosa do que viver, entendo os que preferem a mediocridade, mas não consigo mais fazer essa opção, só me interessa uma vida plena e nada menos que isso... ²é péssimo se entregar e desistir de si mesma; começada a aventura, é preciso continuar, é necessário navegar, é mister percorrer todo o caminho e arcar com tudo que vier, inteira.... ³ e o que desejo é desconhecido até para mim, sei agora o que não quero e isso me dá pistas do que espero, não é apenas "liberdade" é algo mais que não tem nome, mas que vou construir e, formada a matéria, nomearei depois.... Ah, querida Clarice... suas palavras me calam ao coração não só como estímulo para continuar buscando ser-Yani, mas porque me remetem a um profundo contato com essa identidade feminina, que sofre, sonha e espera. Espero muito conseguir essa plenitude... por mim e por você...

Yani

sábado, 16 de maio de 2009

Sobretudo...

vestida casaca
de falsos conceitos
coberta de tudo
despida de jeito
sem rumo sem dono
sem nada no peito
me sinto um fake
de sobretudo
sobre o nada
q em mim impera
sobre o caos
sobre o amor
sobre tudo
que já era

(by Yani - em contrução)

sábado, 9 de maio de 2009

Zezé

As vezes, menina
Outras, mulher
é mãe, é filha
e tudo que quiser

mulher forte de fibra
da dor é amiga
mas luta com fé
exemplo de vida
é ela, mulher

descubro o amor
e ao seu lado me faço
sou filha, sou mãe
desenho e traço
amor de menina
no seu terno abraço

terça-feira, 5 de maio de 2009

(A) MAR

Deixar-me ser o que eu sou,
o que sempre fui,
um rio que vai fluindo.
E o meu destino é seguir...
seguir para o mar.
O mar onde tudo recomeça...
Onde tudo se refaz...
(by Mário Quintana)



Esse é do ano passado (não sei a data) mas resolvi postar...

Encontrar minha natureza de rio
fluir naturalmente por entre
as encostas e as árvores
chegar ao mar
dissolver-me no mar
tornar-me mar
retornar
(a)mar

(by Yani)

sábado, 2 de maio de 2009

Do querer...

Quero o som e o silêncio,
o passado e o futuro,
o antes e o depois,
o mar e o ar...

quero ir e vir,
ficar e partir,
quero o tudo e o nada,
topar a parada
de ser plena
sem medida,
transfigurada de vida
repleta de ser...

(by Yani)

terça-feira, 14 de abril de 2009

AXIOMA (by Orides Fontela)

"Sempre é melhor
saber
que não saber.

Sempre é melhor
sofrer
que não sofrer

Sempre é melhor
desfazer
que tecer"




mea culpa, meu axioma... (by yani)

sempre que faço
provoco um sofrer

sempre que teço
defaço um bem-querer

sempre que sei
prefiro esconder...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Lendo Orides Fontela:

Fala

"Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.

Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.

Tudo será
capaz de ferir. Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.

Não há piedade nos signos
e nem no amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.

(Toda palavra é crueldade.) "

Obs.: Descobri essa poetisa recentemente através de uma amiga e ainda estou me deliciando com a leitura de seus poemas. Fica a sugestão... Orides Fontela, vale a pena ser lida!

terça-feira, 31 de março de 2009

Fala, equilibrista!

"Eu que não sei quase nada do mar,
descobri que não sei nada de mim"



é na fala de todo dia que tento me descobrir
é na palavra dita (bem-dita ou mal-dita)
que existe a possibilidade
(desde que se reflita...)
de equilibrista na corda permanecer

(by Yani- hoje)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Eu...

Começo sempre no lugar-comum
Incomum, apesar de tudo, volto ao mesmo sempre
Sem querer fazer igual,
jamais sendo diferente
busco o inconsequente
com um temor exagerado pelas consequencias...

(by Yani, em 16/01/2008)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Lendo poesia...

(Ando meio preguiçosa pra postar... sem inspiração pra escrever... mas, continuo por aqui... pensando sempre nessas reticências que não deixam de me acompanhar...querendo sempre ser... ser-Yani)

Segue Hilda Hilst para deleite:

"Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer."
( Do Desejo - 1992)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Fuga

saltar o muro
atravessar os campos
chegar ao mar

(saltar a dúvida
atravessar o medo
mergulhar)

fácil assim

(não fosse tudo isso em mim...)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Leminskiando...

às vezes me bate uma necessidade de dizer algo e não consigo. daí me lembro de beber na fonte dos poetas que amo... hoje visitei Leminski:

Desencontrários

Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.

***
Apagar-me

apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme

***
Amor

Amor, então, também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

(by Paulo Leminski)



O que me salva é a poesia...
Y.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Sobre ontem...

Fiz.

Fiz e aconteci.

Superei a dor.

Fiz.

Acreditando ou não.

Fiz.

Amando ou não.

Fiz.

Fiz e aconteci.

E agora?
Vou dormir...
Posso sonhar que sou feliz?

Uma aprendizagem...

E porque sempre precisava de tudo, naquela noite decidira que não precisaria de mais nada. A auto-suficiência da embriaguez turvava os olhos e clareava a mente... ESTOU LIVRE! Finalmente a sensação da liberdade, perdida há muito pela chegada dos filhos, voltava sutil e intermitente... Era livre! E na liberdade de ser, deixava fluir as palavras há tanto estacionadas no vão das cordas não vibradas: SOU! E isso basta! Ser é o máximo que qualquer humano pode esperar para si.

(by Yani, 02/09/07)

Amigos reais em meio virtual: