quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

SEREI-A

Sereias são perigosas
desde o tempo de Ulisses
"Amarre-me ao mastro,
mas não me tapem os ouvidos"
Quero cantar (e ouvir)
o que desestabiliza
seu (meu?) canto de amor e cobiça
Quero ser sereia
ser Yani
Sereyani
que canta e enfeitiça.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Dia de chuva...

Dia chuvoso por dentro e por fora...
. . .
. . .
. . .


Tento escrever, mas não sai nada que preste, ou que pelo menos me anime a postar...
Divido a trilha sonora de hoje... Mafalda Veiga:

O tempo endurece qualquer armadura
E às vezes custa arrancar
Muralhas erguidas à volta do peito
Que não deixam partir nem deixam chegar

O escuro lá fora incendeia as estrelas
As janelas, os olhares, as ruas
Cá dentro o calor conforta os sentidos
Num pequeno reflexo da lua

Enquanto espero percorro os sinais
Do que fomos que ainda resiste
As marcas deixadas na alma e na pele
Do que foi feliz e do que foi triste

...

é...

sábado, 29 de novembro de 2008

35

35 vezes ou mais,

disse adeus, disse que voltaria, disse que amava, disse que sofria...

35 vezes ou mais,

corri atrás, deixei rolar, voltei, segui, amei, sofri...

35 vezes ou mais...

muito mais que trinta e cinco vezes, quero trinta e cinco mais, trinta e cinco dividido, vivido, curtido...

35 vezes ou mais...

domingo, 26 de outubro de 2008

Janela

Espio olhares
Expio pecados
Espreito a vida por esta janela
Estranho o morro 'extranho' ao planalto
Inspiro a brisa que vem do mar
Expiro a saudade...

Estou aqui e não saio de lá


(by Yani, Rio de Janeiro, 09/10/2005)

sábado, 25 de outubro de 2008

Sala de espelhos

atrás, olhar duro,
inquisitivo, opressor...

ao lado, olhar crítico,
cruel, questionador...

a frente, olhar dócil,
suave, com rancor...

No centro todos olhares
convergem num refletor
olham, mas não enxergam
cegados pela dor.


Espelho do ontem
do hoje e do depois
reflete o mesmo,
o sempre igual,
retrato de nós dois.

(by Yani)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

...

"vazio agudo
ando meio
cheio de tudo"


(by Leminski)

haicai perfeito pra definir meu sentimento de agora...

"amanhã vai ser outro dia..."

E salve Chico!

p.s. q postagem péssima... :P

sábado, 11 de outubro de 2008

(em)balada...

a noite
o som
a música
a dança
e a fisgada no peito
do leite que já não é
preciso
necessário
estar dentro e fora
querendo voltar
ao agora (?)
impossível lugar


(by Yani)

No bar...

Bar - besteiras no ar...

Bebida servida
Arrasta a dor, a ferida
Revive a ilusão...





BRILHA LUZ
ARTIFICIAL
CÃO ANDALUZ
DALI DAQUI
DE QUALQUER LUGAR
RELUZ
PAR SEM PAR
SEDUZ
SURREAL
INDUZ
AO IDEAL
A LUZ



(by Yani)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Mar

"Fez-se mar, sem ar no meu penar..." Los Hermanos


Quero o mar
e o azul que posso tocar
Quero o mar
e o medo do mistério que nele há

Quero amar
e tocar com meu medo seu mistério
sem pesar
sem pensar
Mergulhar...


(...)


(by Yani)

domingo, 5 de outubro de 2008

O PRAZER

A boca e o ouvido me consomem. A verdade é que não fico sem falar, sem comer, nem tampouco sem ouvir. Não dá para não desfrutar o prazer do paladar, e, por outro lado, não dá para resistir ao prazer da palavra, rica, bonita, sentida...
É por isso que tenho horror aos exagerados... há pessoas que berram tanto que incomodam o mais surdo dos mortais... berram seu poder, ou sua sede dele, berram sua impotência, mascarada de virilidade...
Não, ouvir não é ser violentada por um som. Não quero (seus) gritos, não quero (seus) berros inconvenientes...
Quero o som suave dos acordes musicais, dos poemas declamados, das confidências insinuadas.
Quero o som da sua voz, sutil, sincera. E o amor das palavras que penetram docemente meus ouvidos...


(By Yani, Gyn, 31/08/2007)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Uma tarde no café

O toque furtivo por baixo da mesa indica o romance ilícito do casal que toma um chopp na mesa ao lado. A necessidade urgente do desejo busca desesperadamente romper os limites sociais do lugar em que se encontram e é apaziguada com um roçar de pernas, uma carícia de mãos.
Parece pouco, mas não é. O desejo rompe não só os limites sociais, mas também a noção de saciedade que casais oficiais têm.
Mais do que o sexo, mais do que o beijo, nesse momento todas as zonas erógenas se encontram num único ponto. Pode ser o joelho, o ombro, ou a ponta dos dedos.
Os pretensos (supostos?) amantes tentam aparentar uma calma dissimulada enquanto seu interior esconde uma erupção, Não sentem fome, não percebem as horas, apenas se descobrem. (- você trabalha só nesse lugar? – não. Também leciono em Campo Grande; - Aí eu disse pra ele, onde estão os poemas que ele escreveu? bzbzbzzz)
Sou uma intrusa, eu meu caderno, minha água e minha caixa de lenços de papel. Percebo-os, mas estão tão embevecidos que quase não me notam...
O assunto se esvai, toques, olhares, pontas dos dedos nos lábios trêmulos. A vontade do beijo e do abraço torna-se incontrolável, desajeitados e intensos, eles se tocam, se beijam, se abraçam meio de lado, para em seguida voltarem à posição original, coração aos pulos, um gole no chopp e sussurros...
Não pretendo continuar aqui para ver o desfecho desse interlúdio amoroso, mas posso prevê-lo: uma despedida formal na porta do Café, ou quem sabe na estação do metrô e voltam ambos para suas vidas, iluminados pela chama ardente da paixão podem continuar por mais um tempo agüentando as trevas da rotina sem amor.
Uma tarde, uma pausa e a vida que chama de volta.

(Botafogo-RJ, 30/08/06)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

De volta ao sofá

Cansada do dia exaustivo que teve, Joana jogou-se no sofá. Quanto tempo ainda teria até suas forças exaurirem-se? Havia muito que fazer, logo seu marido e as crianças notariam sua chegada, mas não o seu cansaço, e juntos se uniriam para sugar o pouco que ainda lhe restava.
Era quarta-feira. Meio de semana é o fim!Como esquecer que ainda ontem a semana começava e que seu fim, ainda que pouco, tardava? Gostava de rimas, quanto mais pobres, melhores...
No auge do desalento que a tomava, uma idéia saltou-lhe a mente: não foi no sofá que aquele tatu, daquela história da sua infância, encontrou uma saída? Sentindo um fio de ânimo avivar-lhe as forças, olhou com cuidado por entre as estampas para ver se não estava ali a passagem secreta para o outro lado.
Não demorou muito e os ruídos do interior da casa aumentaram num crescente, revelando a proximidade dos seus.
A porta se abriu e surpreso o pai perguntou às filhas: Mas sua mãe não tinha chegado?


No sofá estampado, nenhum sinal do instante passado.


(by Yani)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Sem inspiração pra escrever...

Bebo na fonte dos poetas, compositores e cantoras q me inspiram...


Dor Elegante

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Como se chegando atrasado
Andasse mais adiante
Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nessa dor
Ela é tudo que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra

Ela é tudo que me sobra
Viver vai ser a nossa última obra

(By Itamar Assumpção & Paulo Leminski - na voz de Zélia Duncan)

domingo, 7 de setembro de 2008

Domingo

Experimento no domingo
a sensação do nada,
do vazio da programação da TV,
da urgência daquilo q está atrasado e q só conta com o domigo pra ser colocado em dia,
a péssima nostalgia da casa materna,
o tédio, o sono, a preguiça,
o vazio de um domingo sem missa, (hum...tão diferente da minha adolescência...)

porém experimento também a sensação

de que não quero (e não posso...)preencher esse vazio,

não fosse assim, não seria domingo.



Amanhã a vida se enche novamente...


(by Yani)

sábado, 6 de setembro de 2008

Quem sou eu?

Talvez eu seja
O sonho de mim mesma.
Criatura-ninguém
Espelhismo de outra
Tão em sigilo e extrema
Tão sem medida
Densa e clandestina

Que a bem da vida
A carne se faz sombra.

Talvez eu seja tu mesmo
Tua soberba e afronta.
E o retrato
De muitas inalcançáveis
Coisas mortas.

Talvez não seja.
E ínfima, tangente
Aspire indefinida
Um infinito de sonhos
E de vidas.

By Hilda Hilst (XLVI – Cantares)

Amigos reais em meio virtual: